A 1ªa vez que fui dar sangue, foi pela sugestão/convite da JH e estávamos em 99.
Fomos à sede da CGD, onde eles têm o Grupo de Dadores de Sangue, pertencente aos Serviços Sociais da CGD. Uma vez por mês, recebem as várias entidades, hospitais e institutos (Instituto Português de Oncologia, por exemplo) e as pessoas da Caixa e outros voluntários podem ir dar o seu contributo.
Nessa vez correu bem e senti que era uma boa acção que se podia fazer, civicamente, que ajuda muitas pessoas, e sinto-me "útil e prestável" à sociedade. Também podemos pensar que um dia podemos vir a precisar e que não deve ser em cima do acontecimento que se remedeia a situação. Se por um lado tenho um tipo de sangue "comum", isso também significa que pode servir a muita gente, e não são apenas os tipos "raros" que são mais precisos.
Ficamos a saber o tipo de sangue, são feitas análises gerais e às doenças infecto-contagiosas, nomeadamente as hepatites, tuberculoses e HIVs. Se houver algum valor preocupante eles comunicam (nunca me aconteceu), mas de qualquer modo, enviam para casa um resumo dos resultados. E ficamos a saber (confirmar) que não temos SIDA e outras doenças graves. Esses testes são muito caros e, apesar de confiar em mim e nas pessoas com quem me relaciono, ficamos sempre mais descansados por eliminar hipóteses.
Todas as pessoas saudáveis podem dar sangue. Existem, no entanto, condições que visam salvaguardar os próprios dadores e receptores da contribuição. Temos de ter mais de 18 anos, mais de 150cm e mais de 50kg. As mulheres podem dar de 4 em 4 meses e os homens de 3 em 3. Se dermos duas vezes num ano, ficamos isentos do pagamento das taxas moderadoras, pede-se o papel e altera-se o cartão de utente.
O processo pode variar dependendo da entidade envolvida mas no geral temos sempre inscrição, consulta médica, dádiva, paparoca e brindes. Chegamos e recebemos uma senha de vez, increvemo-nos ou confirmamos os dados e ficam com o cartão de dador para registar mais uma dádiva. Pode haver um médico ou enfermeiro a fazer a picadinha da hemoglobina, que se faz num dedo da mão e dói! Se tivermos um valor baixo (anemias) podemos ser recusados. Depois a consulta médica com a medição da tensão e registo do peso e altura. Nessa altura fazem-se uma série de questões importantes que pretendem avaliar a aptidão do dador: drogas, doenças, transfusões, operações, comportamentos sexuais, medicamentos, piercings e tatuagens recentes, contacto com pessoas ou países de risco, etc. Depois escolhemos o braço e deitamo-nos na maca. Picadinha e podemos ver que o nosso sangue é escuro, enquanto é recolhido para umas saquetas apropriadas, ao mesmo tempo que se recolhem amostras para tubinhos que vão para análise. Não tiram "litros" de sangue. De acordo com a constituição da pessoa, a dádiva oscila na ordem dos 0,4-0,6L. O tempo depende da pessoa, da veia, da velocidade com que sai o sangue, hoje demorei 10min. Comprime-se o sítio da picadinha e põe-se um penso. Descansamos um bocadinho e passamos à mesa da comida.
Já vi várias versões: sandes, sumos, água, café, cerveja (sem álcool), frango assado, salgados vários, bolos, bolachas, biscoitos... Temos de repôr o nível de sangue, não fazemos esforços nesse dia e bebemos muitos líquidos.
Finaliza-se a visita com a entrega de um saquinho de brindes onde está sempre presente uma flor ou manjerico (na devida altura). Ao longo do tempo contabilizo canetas, blocos, ímans, porta-moedas, porta-chaves, pratos, copos, tigelas, tshirts, etc.
Acho que antigamente pagavam para ter dadores, mas o belo do "voluntário" começou a sê-lo por interesse e abandonaram a ideia. O meu pai dá no hospital da Almada e agradecem quase sem mais nada.
Já levei vários amigos para dar sangue e já contabilizo algumas histórias. Renovar o sangue também é saudável, e esse é um dos motivos pelos quais o meu pai dá, para baixar os níveis de não-sei-quê.
Alguém ficou tonto? Alguém quer as datas das próximas acções de recolha?
Alguém chegou ao fim deste post? :o)
JM